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Educação: como o agronegócio é retratado nas escolas?
27/06/2022

Educação: como o agronegócio é retratado nas escolas?

Nos últimos anos, movimentos ligados ao agronegócio buscam atualizar a forma que o setor é retratado em materiais didáticos

Para milhões de brasileiros, o agronegócio é gerador de emprego e renda, um importante fornecedor de matérias-primas para o mundo, inclusive ao Brasil, bem como um setor que está em constante evolução, alinhado com pautas sociais e ambientais. Porém, essa não é a imagem que grande parte da população — especialmente a urbana — enxerga. A maior parte desse problema está na forma que o setor é retratado nas escolas.

Em materiais de divulgação do movimento, Letícia Zamperlini relata que observou isso no material escolar da própria filha. Os livros mostravam uma visão extremamente negativa das propriedades e dos produtores rurais — bem diferente da realidade que a própria Letícia, ligada ao agronegócio, vive todos os dias. Ela conta que, a partir disso, começou a debater o assunto com amigas. Juntas, elas criaram o movimento De Olho no Material, que já conta com milhares de apoiadores nas redes sociais.

A ideia do movimento é incentivar os pais a analisar criticamente as informações que seus filhos recebem sobre o agronegócio. O grupo também convida professores para conhecerem as propriedades rurais e os métodos de produção, além de marcar reuniões com editoras que fornecem livros didáticos — para que revejam seus conceitos do agro.

Trabalho visa responder a críticas ultrapassadas

Além do De Olho no Material, é possível destacar iniciativas como o Todos a uma Só Voz, iniciado em 2021, que une diversas entidades e empresas do agro pela causa. Já o projeto Agronegócio nas Escolas, da Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto (Abag/RP), tem mais de 20 anos de atuação — impactando mais de 255 mil estudantes e cerca de 3,4 mil professores.

De modo geral, essas iniciativas mostram que o retrato do agronegócio nos livros didáticos é baseado em apontamentos de contaminação do meio ambiente, uso de técnicas que destroem o solo, maus-tratos a animais e exploração de trabalhadores ou indígenas. São críticas que não correspondem à totalidade da realidade do setor neste século, até porque essas atitudes negativas atrapalham a produtividade.

Portanto, as iniciativas buscam mostrar o agro como um setor que evoluiu ao longo do tempo, passando a se preocupar com o meio ambiente. Além disso, agregou tecnologias de ponta aos seus processos e é uma boa opção de carreira para diversas áreas de estudo. Eles sugerem o uso de fontes mais fidedignas, como as pesquisas das universidades ou da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para elaboração dos materiais didáticos.

Novas abordagens são necessárias

Pensando em formas de atualizar o ensino sobre agronegócio no Brasil, o movimento Todos a Uma Só Voz criou uma cartilha com orientações para professores e escolas em parceria com a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep).

Ela sugere dez temas para debate em sala de aula, como cooperativismo, aproveitamento de alimentos e agricultura digital. Também sugere abordagens lúdicas — criando até uma série infantil em áudio, disponível para download.

O movimento De Olho no Material, por sua vez, tem reportado avanços, com mudanças em novas edições de livros e participações de destaque em eventos de educação. São esforços ainda incipientes, mas que começam a provocar resultados que serão percebidos nas próximas gerações.

Entretanto, também é importante observar que outros setores fazem críticas a essas iniciativas, temendo que elas possam prejudicar a autonomia dos professores — o que os representantes não afirmam ser o objetivo.

Fonte: Canal Agro


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